terça-feira, 14 de março de 2017

Família...

Meus pais ficaram muito preocupados com a forma e a rapidez que as coisas estavam acontecendo. Eu fiquei um pouco chateada. Um pouco é modo de falar... rs.... É claro que sei que eles me amam, que se preocupam comigo. Mas nesse momento o que eu mais queria era ouvir eles dizerem que me apoiavam e que estariam sempre ali pra mim. Então foi um processo de compreensão das duas partes, eu e eles. Eu dei um tempo pra eles digerirem as notícias. E foi um tempo pra eu deixar de ficar brava com eles e aceitá-los, mais uma vez, como são. 

Em fevereiro, quando nos reunimos pra comemorar os aniversariantes de fevereiro, dos quais eu faço parte, tivemos uma conversa muito boa. Minha mãe e meu pai puderam se expressar, dizer da preocupação e da oração deles. E eu pude falar que, antes de tudo, estava buscando a direção de Deus e que a bênção deles  pra minha viagem e casamento era fundamental. E recebi essa bênção! Deus é muito bom!

Só que daí foi a vez da minha filha ficar em crise... Desde o início do relacionamento ela estava sabendo de tudo e me apoiando muito. Mas, de repente, ela não conseguia mais falar sobre isso comigo. Ela começou a sofrer com a perspectiva da minha viagem e da nossa separação física. No início eu não entendi o que estava acontecendo com ela, o que ela estava sentindo. Mas a Beta me disse que a Dani estava sofrendo (Beta minha irmã e Dani minha filha).  Eu levei um susto, caí em mim. E passei a dar o espaço que ela precisava para elaborar esse luto e respeitar esse momento dela. Mas esse sofrimento dela me levou a perceber o quanto eu também iria perder. E também tive meus momentos de crise.

namoro, casamento...

Após longos 40 dias de conversas intensas e diárias, resolvemos que nos casaríamos. Pois é, antes do natal já estávamos falando em casar. Ainda sem saber bem como faríamos isso, mas já sabendo que era isso que queríamos.

Mais do que isso, desde o começo nós colocamos em oração, pedindo que Deus nos orientasse, nos conduzisse, confirmando em nossos corações e nas nossas vidas esse desejo que tínhamos de ficar juntos. E fomos entendendo e sentindo a mão de Deus em nossas vidas.

Eu tinha o compromisso com o coral da igreja como pianista. Mas também tinha um compromisso com a regente do coral em dar apoio técnico mas também, e principalmente, como amiga. Nossa amizade foi se consolidando com a parceria à frente do coral, e nossos encontros para tomarmos café (tomar café é um modo de falar, pois ficávamos horas conversando à mesa)  são momentos profundos de comunhão espiritual. Quando eu contei pra ela sobre o relacionamento, ela apoiou e essa reação dela eu senti como sendo uma resposta de Deus.

Minhas amigas da clínica de psicologia da qual eu era sócia até esse momento também me deram muito apoio e oraram pra Deus me abençoar e dirigir. Elas são pessoas em quem eu confio plenamente, e não me deixariam fazer uma loucura.

Claro, deixar emprego, casa, família, filha, pra ir pra um país estranho e casar após pouco tempo de convívio, e convívio via internet, parece loucura. Tá bom, é um pouco loucura... rs... Mas eu sei que essa reviravolta toda está nas mãos de Deus. E eu sigo confiante que Ele está conduzindo nessa direção. 

A princípio pensamos que eu iria pros EUA passar quinze dias em fevereiro, voltaria para o Brasil e mais ou menos em julho iria para ficar definitivamente. Mas fomos conversando, as coisas foram acontecendo, e decidimos que fevereiro ou março eu iria já pra ficar. Havia algumas coisas que precisariam ser resolvidas e esclarecidas por aqui antes de ir, mas daria tempo suficiente pra isso. E no natal ele falou com meus pais via chamada de vídeo, falando da nossa intenção de casar.


Reencontro

E lá se passaram 27 anos... desde nosso namoro em 1989 até nosso reencontro em novembro de 2016. E esse reencontro foi através do Facebook.

Eu não sabia, mas uma amiga minha também era amiga dele. E um dia, mais precisamente no dia 06 de novembro,  um domingo de noite, depois de trabalhar o dia todo na aplicação da prova do Enem, eu já estava na cama com o notebook só pra dar uma relaxada, essa amiga curtiu uma postagem dele. Quando eu vi, eu pensei... "Nossa, o Ozeias... quanto tempo!!" E fiquei me perguntando se ele aceitaria um convite de amizade, pois eu ainda tinha lembranças da carta que ele havia me enviado quando terminei o namoro. Mas - eu pensei - na pior das hipóteses ele vai negar. Então enviei a solicitação.

Pra minha surpresa, ele logo aceitou o convite e já começamos a trocar mensagens. Muita história pra contar um pro outro, lembranças, novidades... Ele me contou que tem dois filhos, uma menina de 15 e um menino de 9, já estava no terceiro casamento e no momento estava morando nos Estados Unidos. Nesse dia ele me telefonou, pois o plano de telefonia dele lá faz ligações ilimitadas para fixo no Brasil. Ficamos 3 horas conversando pelo telefone. E depois desse dia nós conversamos todos os dias.

No início não havia nenhuma segunda intenção, nem da minha parte nem da dele. Mas logo eu fui percebendo que estava começando a gostar dele. E é claro que existiram complicações. Ele ainda estava casado e a mulher dele tinha ficado no Brasil com o combinado de ir para os EUA em janeiro. Só que ele percebeu que ela havia mudado de ideia, e que esse período que estavam longe (desde agosto) os havia separado mais que fisicamente, emocionalmente também. Eu não gostava da ideia de estar me apegando a ele com ele estando ligado oficialmente à mulher aqui no Brasil. Então ele decidiu conversar com ela sobre o divórcio, e foi bem tranquilo, porque aparentemente ela também queria isso. Ufa!

Bom, estando com o caminho livre, nós dois nos entregamos a um relacionamento totalmente atípico para mim: pela internet...rsrsrs. Eu nunca imaginei que iria namorar pela internet. Eu sou um pouco avessa às redes sociais e tecnologia. Nunca deixava meu celular conectado na internet o tempo todo. Mas, de repente, isso mudou...  Comecei a entender e usar melhor o Whatsapp e estar sempre online. Passei a usar o aplicativo para fazer chamadas de voz e video... eu nunca havia pensado nisso.... rsrs.

Pois é, aprendendo, se modernizando, quebrando paradigmas.,. assim é a vida.




sexta-feira, 10 de março de 2017

Interlúdio

No início da década de 90 houve um pequeno encontro por acaso. Eu estava voltando de ônibus para casa, de noite, depois da aula na faculdade de música. Quem estava nesse ônibus? O meu ex-namorado. Fiquei um pouco apreensiva... será que ele vai brigar comigo? Não lembro bem, mas acho que disfarcei, fingindo que não o vi... rsrs... Mas ele veio falar comigo. Na verdade, ele veio pedir desculpas pela carta que havia enviado. Ufa!! Rsrs...

Nesse momento nós dois estávamos casados. Eu já tinha minha filha linda, que era pequenininha. Não trocamos telefone nem endereço. Foi um encontro casual, mas que não teve nenhuma consequência.

Depois desse encontro continuei minha vida. Pouco tempo depois me separei e fiquei até agora sem casar novamente. Ele, por outro lado, separou e casou várias vezes.... rsrs... brincadeirinha... só três vezes.

Até o ano passado não tivemos mais notícias um do outro.

Depois que me separei fiquei muito tempo, muito tempo mesmo, pensando e dizendo que não queria casar novamente. Acho que isso é um tanto normal, pois após um relacionamento frustrante precisamos nos reestruturar internamente para poder encarar novamente um relacionamento.

Claro que tive alguns namorados, mas não dava certo por uma razão ou outra, e também porque eu realmente não queria casar de novo. E acho que nem eles.... rsrs

Eu queria cuidar da minha filha, educa-la, proporcionar a ela um ambiente saudável e, por ser a mantenedora do lar, precisava me dedicar ao trabalho como professora de música. O pai dela ajudou muito pouco, talvez por um ano. Depois disso, aquela velha história: não tenho dinheiro, está difícil, não vai dar... Mas a história dele conto outra hora. Os meus pais me ajudaram muito financeiramente. Sempre que precisei de apoio eles estavam lá, prontos a estender a mão. Até hoje eles são assim! Sou muito abençoada por ter a família que tenho. Meus pais, irmãos, sobrinhos, cunhados... todos muito queridos e importantes pra mim.

Um tempo antes de iniciar a faculdade de psicologia já comecei a fazer terapia. Muitas questões me impediam de viver com tranquilidade. E fui tratando cada uma, sem pressa. Na faculdade conheci pessoas que serão importantes pra mim até o resto da vida. Mais do que colegas, amigas que me ajudaram e ajudam a ser uma pessoa melhor. Também encontrei pessoas importantes e que me influenciaram positivamente na igreja que frequento. Fui construindo laços de amizade e que foram se transformando em laços de amor.

Depois de todas essas vivências eu comecei a sentir vontade de ter um companheiro, um amor pra viver até ficar velhinha. Eu comecei a me sentir mais preparada, sabendo que para um casamento dar certo é melhor querer ser feliz ao invés de querer estar sempre certa.


Casamento... esse também é um assunto pra outro momento...

Primeiro encontro

Não sei bem como começar este blog. Não sei se começo pelo começo, pelo meio ou pelo momento atual... São muitas emoções e sentimentos opostos e misturados que estão agora no meu coração que me sinto um pouco paradoxal.

É pra ser uma história de amor, de reencontro, de escolhas e de mudança. Com muita intensidade e em pouco tempo muita coisa aconteceu.

Neste primeiro capítulo vou contar então como começou esta aventura maravilhosa.

Bom, nos idos de 1988 eu vivia no interior do estado do Paraná, na cidade de Dois Vizinhos. Até que era bom morar lá. Tenho ótimas lembranças daquela cidade. Mas nesse ano, em especial, eu conheci uma pessoa mais do que especial.

Eu frequentava a igreja Batista e era muito ativa. O pastor e sua família eram escoceses, e estavam conosco há pouco tempo. Esse pastor convidou um pessoal de Curitiba, onde ficaram antes de vir para Dois Vizinhos, para virem apresentar um teatro na cidade. Essa vinda movimentou toda a igreja, que acolheria os participantes em suas casas.

Na casa da minha família eu não lembro quantas pessoas ficaram, mas sei de um rapaz que ficou hospedado lá. E eu fiquei de olho nele... rs. Eu fui muito paqueradora na adolescência, e esse rapaz não fugiu a regra.

Não se esqueça que estamos falando de quase 30 anos atrás. Os tempos eram outros e os comportamentos também. Nesse momento da história não aconteceu nada mais do que isso... Interesse e paquera (flerte talvez fosse uma palavra mais adequada?).

Essa igreja que veio nos visitar nos convidou para participar do acampamento de carnaval no próximo ano. É claro que eu fiquei animadíssima! Iria rever o meu paquera e, quem sabe o que mais.
Qual não foi minha decepção quando, ao chegar lá, descobri que ele não iria participar do acampamento. Ele era muito comprometido e engajado na igreja, por isso participaria de um outro encontro de jovens que trabalhavam na organização de um encontro nacional de jovens da igreja Batista, o Despertar 89, que aconteceria uma ou duas semanas depois.

Só que, no último dia, ele foi!!! Lembro de fazermos caminhada pelo local. Não sozinhos, é claro, com um grupo, mas ele estava lá!

Minha irmã estava comigo nesse acampamento. Ela começou a namorar um menino lá. E quando acabou o acampamento ficamos hospedadas na casa do nosso tio, o querido tio Misso. O namorado dela foi visita-la lá na casa do tio e o meu paquera foi junto! E me pediu em namoro lá, na sala da casa do tio Misso. Eu fiquei nas nuvens! Claro que aceitei!

Minha irmã voltou pra casa em Dois Vizinhos e eu fiquei em Curitiba para participar do Despertar 89.

Nesse período de 2 semanas que fiquei em Curitiba fomos juntos à igreja, de manhã na minha e de noite na dele, fomos no cinema e participamos do encontro nacional de jovens.

Esse capítulo termina logo após minha volta para Dois Vizinhos, pois eu tinha 15 anos, gostava de paquerar e não era do meu estilo namorar a distância. Só que para encerrar esta parte preciso contar como foi o término. Eu não lembro exatamente se terminei o relacionamento por telefone ou por carta. Sim, carta! Ainda era muito usada nessa época. Mas o que eu lembro foi da carta “desaforenta” que recebi dele. Ele ficou muito bravo com o término, não lembro bem do conteúdo, mas lembro que ele ficou muito irritado comigo. Essa foi a impressão que fiquei sobre o término. Fiquei até com peso na consciência...

Quem eu sou

Quem eu sou? Esta é uma pergunta um tanto profunda... rs... Bom, eu sou psicóloga, professora de música, mãe, filha, tia, irmã, amiga. Na minha família de origem somos em 4 irmãos e eu sou a mais velha. Então, é claro, tenho uma postura de liderança, gosto de mandar, sou caxias (será que quem está lendo sabe o que é isso? Rsrs). Sou muito organizada com minhas coisas e gosto dessa organização. Tenho 3 sobrinhos meninos. Tinha uma sobrinha, mas ela morreu. Em outro momento conto a história dela. E tenho uma filha linda!

Trabalhei mais de 20 anos como professora de música ensinando crianças a tocar piano, flauta doce, musicalização infantil. Mas também trabalhei com adultos, ensinando regência, técnica vocal, teoria musical. Também ensaiei um quarteto masculino e fui pianista do coral da minha igreja. Em todos esses espaços fiz amigos muito queridos, que são para toda a vida!

Com 35 anos comecei a faculdade de psicologia. Uma ótima idade pra fazer isso. A maturidade traz consigo experiências e aumenta a compreensão de muitas coisas nesse curso. Quando terminei a faculdade ainda trabalhei com música mais uns anos, mas quando fui demitida da escola que trabalhava (por 16 anos) assumi a psicologia e foi muito bom.


Só que isso só durou um ano... por causa desse reencontro que quero contar aqui.